quinta-feira, 24 de maio de 2012

Perseguido - Luiz Alfredo Garcia-Roza


“A calçada estava deserta, podia falar sozinho. O que, aliás, vinha fazendo a muito tempo” p.139



Sinopse: O psiquiatra de um hospital universitário sente-se perseguido por um jovem paciente. O sentimento de perseguição aumenta a cada dia e passa a ser vivido por outras pessoas ligadas ao médico. Misteriosamente, o paciente desaparece, depois de alguns meses, é dado como morto.
A essas mortes seguem-se outras, sem que possa determinar quem está sendo perseguido e quem é o perseguidor. Tampouco é possível concluir com clareza se as pessoas morreram de morte natural ou assassinadas.
Em meio a essa trama, o delegado Espinosa tenta separar o que é real do que é fantasia, tendo como guia apenas a convicção de que a morte não é um delírio.

Dos livros do Garcia-Roza lidos até agora, este certamente não foi o meu favorito, gostei da trama, mas não me surpreendeu muito... A linguagem do autor ainda não me envolve por inteiro, embora que mesmo sem conhecer pessoalmente o Rio de Janeiro, eu consiga passear junto do "herói" Espinosa pelas avenidas de Copacabana, Ipanema e pelo bairro Peixoto. "Perseguido" consiste  na quinta obra do autor e envolve o leitor, misturando, escondendo e colocando "máscaras" em vítimas e culpados até um inteligente desfecho. É importante salientar também que eu acredito que a obra consegue cumprir bem seu papel de dar continuidade à missão a que o escritor se propõe: ajudar a mudar o discreto cenário do gênero policial no Brasil.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Uma Janela em Copacabana - Garcia-Roza


"Lamentava pelos sebos não visitados, mas guardava uma satisfação íntima no que dizia respeito a torradeira" p. 13

De imediato, o mundo policial entra em rebuliço. Quem estaria disposto a correr o risco de sair matando tiras, ainda que inexpressivos? À própria polícia? E por quê?
Em meio às confusões de seu cotidiano de livros sem estantes e mulheres fugidias, o delegado Espinosa, titular do 12º DP, tem poucos elementos para desvendar o caso. Ele e sua equipe enfrentam olhares temerosos e desconfiados dos colegas, muitos deles comprometidos com a corrupção. Percorrendo as ruas de sua geografia predileta, entre os bairros do Leme e de Copacabana, o delegado irá deparar-se com outras mortes e com os mistérios da insinuante esposa de um membro do primeiro escalão do governo federal.



Finalmente, eu terminei a leitura de Uma Janela em Copacabana, afinal é esta a obra exigida como leitura obrigatória do meu curso de Direito, mas eu não satisfeita, resolvi que leria toda a coleção de romances policiais do Luiz Alfredo Garcia-Roza. Neste quarto livro escrito por Garcia-Roza, Espinosa está às voltas com uma investigação bastante delicada. A morte de três colegas causa um rebuliço em toda a polícia, que não sabe se deve suspeitar de criminosos ou de mandantes pertencentes à própria corporação. É justamente isso, o fato de haver tanta desconfiança entre colegas, que faz com que Espinosa passe a questionar seu trabalho. Em Uma Janela para Copacabana, o que o leitor encontra é um profissional desanimado, cuja rotina de trabalho está matando o espírito que originalmente foi o estímulo para Espinosa se tornar um policial honesto e respeitado. Ainda assim, o delegado se dedica a desvendar o mistério por trás das mortes dos colegas com o mesmo profissionalismo que acompanhamos desde O Silêncio da Chuva.  Como em Vento Sudoeste, o final é nebuloso. Porém, cheguei a conclusão de que Garcia-Roza quebra os paradigmas da literatura policial clássica e nos mostra que contar uma história pode ser tão ou mais interessante que seu desfecho.



quarta-feira, 16 de maio de 2012

O tempo faz amadurecer...



Cá estou eu, aos 23 anos, olhando no retrovisor do tempo, percebendo todas as conquistas, todas as vitórias oriundas de muito trabalho e dedicação. Seria muito injusto se eu reclamasse de algum detalhe vivido, afinal Deus tem proporcionado bençãos magníficas na minha trajetória, pois as pessoas mais queridas estão bem, amizades novas ou renovadas, um emprego que gosto muito (apesar dos pesares), um filhão saudável, inteligente e muito querido, um amor que me deixa com aquele sorriso bobo no rosto, uma família que me orgulha, muito café, estudo e crescimento.


Senhor, sou muito grata pela saúde e sabedoria que me animam todas as manhãs!!!
Obrigada pelas bençãos diárias!!!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vento Sudoeste - Luiz Alfredo Garcia-Roza

"O salão do restaurante era protegido por uma ampla vidraça, que naquele momento barrava o forte  vento sudoeste, soprando havia dois dias." p. 210



Sinopse: No Rio de Janeiro, o vento sudoeste anuncia mudança.Não se trata apenas da mudança óbvia, do tempo.Para os moradores locais, ele tem a natureza de sinal.Pode ser sinal de chuva ou de ressaca nas praias, pode ser sinal para o pescador permanecer em terra, pode ser sinal de que mudará o humor dos garçons ou de que Maria vai brigar com João.E também pode ser sinal de morte violenta.

Soprava um Sudoeste quando o delegado Espinosa saiu para se encontrar com o homem que lhe fez o estranho pedido:investigar um assassinato que ainda não tinha sido cometido e cujo assassino seria ele próprio. Mais estranho inda: o homen ignorava o motivo do crime, como seria cometido e quem seria a vítima.




Observa-se que a sinopse do livro já é bastante atrativa, afinal trata-se de uma situação bem incomum, por isso eu acreditava ser muito difícil o autor traçar uma trama que ultrapassasse as 50 páginas, porém, para a minha surpresa esta trajetória foi muito além.
 Antes de qualquer coisa, devo salientar que gostei muito do retorno de Welber, ferido no primeiro livro "Silêncio da Chuva", o personagem não aparece na segunda obra "Achados e Perdidos", mas volta nesta nova aventura do delegado Espinosa, chamada "VENTO SUDOESTE".
Apesar de no Brasil haver muitos casos mal resolvidos, do tipo que são ditos "solucionados" e são arquivados com muitas lacunas, assim como aconteceu nesse romance policial narrado por Luiz Alfredo Garcia-Roza, eu particularmente, esperava ler ao menos o momento em que a arma usada no assassinato de Hidalgo teria sido encontrada. Mas, o autor preferiu deixar alguns detalhes por conta da imaginação do leitor.
Em contrapartida, dou os meus Parabéns a criatividade e linguagem empregadas na obra. Muito bom!!!

domingo, 13 de maio de 2012

O melhor presente!

Mãe é sempre mãe...
Apesar de a minha Mãe ser a melhor do mundo, não posso deixar de considerar pontos praticamente iguais em todas as mães, tais como o hábito de pensar no pior sempre, de brigar para comermos de boca fechada, para escovar os dentes antes de dormir... Porém, tem uma coisa que é inconfundível em todas as mães, que é o melhor presente, ou seja, o presente preferido delas, que tem unanimidade de aprovação entre todas as mamães que eu conheço, corujas ou não.

O melhor presente é sempre um belo sorriso no rosto do filho amado! Afinal a felicidade das Mães se faz a partir da felicidade de seus filhos! E olhe que eu sou perita no assunto!

Beijo manhêeeeee... Te amo!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Achados e Perdidos - Luiz Alfredo Garcia-Roza

“Certas pessoas, a partir de acontecimentos insignificantes, são impelidas a uma guerra santa.” p. 29





Sinopse: Achados e Perdidos marca o retorno do policial Espinosa, que já aparecera no sucesso anterior de Luiz Alfredo Garcia-Roza, O Silêncio da Chuva. O recém promovido delegado continua o homem reservado do tempo da delegacia da praça Mauá, no centro do Rio. Neste livro, Vieira, delegado aposentado, está ao lado dele a cada novo fato violento, entrega-se aos encantos da insinuante Flor, a prostituta que termina por capturar também Espinosa ao lhe oferecer o corpo perfeito. O policial se deixa ainda perturbar pelo umbigo de Cristina, a pintora; quem sabe não se apaixonará por ela? Do Espinosa de antes, o leitor reconhecerá o constrangimento por falhar na proteção a um sem nome, um desses meninos que infestam a noite e as ruas de Copacabana. Mas verá que, menos melancólico, ele se tornou também um homem de ação. Em Achados e Perdidos o delegado Espinosa encontrou-se com a plena maturidade profissional.


Esta semana concentrei minha atenção na leitura de “Achados e Perdidos”, que consiste no segundo romance policial escrito por Luiz Alfredo Garcia-Roza.  Particularmente considerei a leitura deste mais interessante do que a do primeiro romance “O Silêncio da Chuva”, pois não só a maturidade do personagem é evidente, como também a maturidade do autor... Não estou acostumada com personagens do gênero de Vieira, porém, acredito que toda a linguagem grotesca e os palavrões usados, proporcionam mais realidade aos acontecimentos narrados e ao próprio personagem. O delegado Espinosa continua com o mesmo charme de antes, tenho a impressão de que em cada livro diferente haverá uma conquista diferente para o nosso herói que além de inteligente é muito perspicaz. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Silêncio da Chuva - Luiz Alfredo Garcia-Roza

“Os iguais tendem a se agrupar e a expelir o diferente, aquele cujo desejo não se confunde com o desejo do grupo, e por essa razão sofre uma morte social.” (p. 204)




Antes de começar a descrever este livro é importante explicar como foi que eu conheci o trabalho do autor Luiz Alfredo Garcia - Roza. Foi mais ou menos no início de fevereiro deste ano, pois ao ingressar no curso de Direito, a faculdade solicitou a todos os períodos a leitura obrigatória de "Uma Janela em Copacabana" do mesmo autor. E então, eu pesquisei a biografia dele,  descobrindo dessa forma que "O Silêncio da Chuva" foi o primeiro romance policial escrito por Luiz Alfredo, ele nasceu em 1936, no Rio de Janeiro, formado em Filosofia e Psicologia, escreveu diversos livros nessa área, ao todo são nove obras e "Uma Janela em Copacabana" é o quarto livro. Embora a coleção não seja  considerada uma sequência, tratam-se de aventuras vividas (na maioria) por um mesmo personagem que é o detetive Espinosa. Consecutivamente as obras são:
  • O silêncio da chuva. 1996.
  • Achados e perdidos. 1998.
  • Vento sudoeste.  1999.
  • Uma Janela em Copacabana. 2001.
  • Perseguido. 2004.
  • Berenice procura. 2005.
  • Espinosa sem saída. 2006.
  • Na multidão. 2007.
  • Céu de origamis. 2009.

Assim sendo, optei por conhecer toda a coleção do autor, e hoje conclui a leitura do primeiro romance publicado em 1996, que recebeu os prêmios Nestlé e Jabuti, além de ter publicações em nove países. "O Silêncio da Chuva" é a estréia de Espinosa, que como eu disse é um detetive policial, e trabalha há mais de vinte anos na polícia. O livro é de uma leitura rápida e eletrizante, na Companhia de Bolso possui 243 páginas que podem ser devoradas rapidamente, depende da sua disponibilidade. Em breve eu posto demais comentários referentes aos outros livros do Luiz Alfredo.

...

sábado, 28 de abril de 2012

A questão das cotas...

As cotas raciais nas universidades são um dos assuntos que mais geram discussões entre estudantes e parlamentares. As opiniões se divergem quando são apresentados os argumentos prós e contras. A votação do Tribunal ontem, que terminou com dez votos favoráveis e nenhum contrário, decidiu que as políticas de cotas raciais nas universidades estão de acordo com a Constituição e são necessárias para corrigir o histórico de discriminação racial no Brasil. “O Brasil tem mais um motivo para se olhar no espelho da história e não corar de vergonha”, disse o presidente da Corte, Ayres Britto. Eu devo salientar que era definitivamente contra as cotas para negros em universidades, pelo motivo de acreditar que seria apenas mais um meio de diferenciação. Mas hoje sou a favor das cotas, pois vejo a questão por um prisma diferente. Respeito a opinião de quem é contra, afinal defendo a liberdade de expressão, mas se formos analisar, o PRECONCEITO existiu antes, existe HOJE e existirá SEMPRE, infelizmente muitas pessoas pensam que a quantidade da melanina na pele é o que capacita o ser humano. E justamente por acreditar em um país de oportunidades iguais é que passei a acreditar nas cotas como uma solução, como uma chance de minimizar injustiças contra negros. Eu sei que muitas outras coisas devem ser feitas nas políticas públicas, mas os NEGROS ainda são tratados com atitudes preconceituosas, afinal apenas 2% da comunidade universitária é negra, e isso nada tem a ver com inteligência, mas com falta de oportunidades. É ou não é?! Um problema muito grande no Brasil é ser pobre, mas ser pobre e negro é um problema ainda beeeem maior. Por isso, não adianta pensarmos numa sociedade utópica aonde brancos e negros têm direitos iguais porque ela não existe, as dificuldades para os negros são maiores sim, pois infelizmente a nossa sociedade preconceituosa não aceita os negros como adequados. Vejam a quantidade de negros ministros (apenas um), negros na televisão, negros com cargos de confiança... Pensem por exemplo no porquê do meu cabelo ser considerado RUIM??? Pensem que muitos negros deixam de conseguir oportunidades de emprego porque o "público" é muito preconceituoso, e os empresários sabem disso. O racismo é muito maquiado por nós, existe muita gente por aí dificultando a vida dos outros porque é intolerante com a cor da pele. Diante disso passei a ser a favor das cotas. Ah... e sobre as cotas diferenciarem ainda mais os negros dos brancos, eu discordo, pois o racismo EXISTE e ele é exacerbado, o fato de ter ou não cotas não muda essa realidade. Ah... E só para constar ... Sobre a melhoria na Educação Básica eu concordo plenamente que ela é URGENTE, mas nós sabemos que essas coisas não acontecem de uma hora para a outra. É fácil falar em melhora do sistema educacional. A Grécia implantou um sistema educacional público há mais de 2 mil anos. Enquanto isso, no Brasil... Somente na década de 1980 o governo começou a implementação de um sistema público de educação. E adivinha quem mais sofreu com esse atraso? O negro, claro. A educação formal é a única oportunidade de ascensão cultural e econômica para a população negra e uma política de cotas nada mais é do que parte de uma reparação social de décadas de descaso e omissão por parte das esferas governamentais e da sociedade. Algo que gera consequências drásticas para muitos afrodescendentes ainda hoje.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

A Papisa Joana


Depois de quase quinhentas páginas, aqui estou, para relatar a trajetória excitante de Papisa Joana. Donna Cross nos brindou com uma personagem cativante, de uma inteligência ímpar, corajosa e que pode ser fonte de inspiração a muitas mulheres.
Em meio a um cenário de muita ignorância, intrigas e preconceitos perversos contra a figura feminina, nota-se que a autora trouxe ingredientes essenciais para uma trama ambientada na Idade Média. Todo o caminho percorrido pela menina Joana, que logo transforma-se em João Ânglico, usurpando a identidade do irmão, fascina o leitor da primeira à ultima página. Foram sete anos de pesquisa, de acordo com Donna, o que atribui ao romance um valor histórico, rico em detalhes verídicos. 
Porém, a pergunta que não quer calar: "Houve ou não esta mulher que assumiu o trono sagrado de Roma?"  Devo salientar, que sei da ficção impressa na obra, mas também não consigo deixar de avaliar as inúmeras evidências, que são pra lá de relevantes, quanto a existência de Joana.
Uma ótima leitura, valeu muito à pena!!!

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